"O poder corta e volta a cortar a erva daninha, mas não pode atacar a
raiz sem atentar contra a própria vida. Condena-se o criminoso, mas não a
máquina que o fabrica, tal como se condena o toxicodependente mas não o modo de
vida que cria a necessidade de consolo químico e a sua ilusão de fuga. Assim,
liberta-se de responsabilidade a ordem social que lança cada vez mais gente
para as ruas e para os presídios e que gera cada vez mais desesperança e
desespero.
A lei é como uma teia de aranha, feita para apanhar moscas e outros pequenos
insectos, e não para impedir a passagem aos bichos grandes, demonstrou Daniel
Drew; e há mais de um século, José Hernández, o poeta, tinha comparado a lei à
faca, que nunca fere quem a manuseia. Mas os discursos oficiais invocam a lei
como se a lei fosse feita para todos e não apenas para os infelizes que não
podem contorná-la. Os delinquentes pobres são os vilões do filme, os
delinquentes ricos escrevem o guião e dirigem os actores.
Noutros tempos, a policia funcionava ao serviço de um sistema produtivo que
precisava de mão-de-obra abundante e dócil. A policia castiga os sornas e os
seus agentes metiam-nos nas fábricas a golpes de baioneta.
Assim a sociedade europeia proletarizou os camponeses e pode impor, nas
cidades, a disciplina do trabalho. Como pode impor-se, agora, a disciplina da
desocupação? Que técnicas de obediência obrigatória podem funcionar contra as
crescentes multidões que não têm emprego, nem nunca o terão? Que fazer com os náufragos,
uma vez que são tantos, para que os seus bracejos não ponham a balsa a
pique?"
Eduardo Galeano, escritor, jornalista, Uruguai
Existem obviamente soluções.
O modelo para a era industrial esgotou-se e não tem saída a não ser outra revolução - a (re)evolução para a eco-sustentabilidade social!
A longo prazo é certo, mas não se constrói uma
revolução social de sustentabilidade e empreendedorismo, de um dia para o
outro.
Estaremos dispostos a não permitir que este peso nos leve a todos ao fundo e
reverter a situação mesmo que isso contradiga os rumos que hasteamos até agora?
Hari










